Como eu editei um vídeo com o GPT-6 Astra: o passo a passo completo
O método que usei para um Reel editado por IA, do prompt ao render: material organizado, skill de edição, storyboard antes de tudo e o que fazer quando o limite bate.
No vídeo, a promessa foi uma: comenta "vídeo" e eu te mando o passo a passo. Este artigo é o passo a passo — a história completa de como o GPT-6 Astra editou um Reel meu de ponta a ponta, do prompt ao render. Inclusive a parte que quase ninguém conta: o limite batendo no meio do trabalho.
Se você só quer o resultado: o vídeo foi editado por uma IA, eu não abri editor nenhum. Se você quer aprender a fazer o mesmo no seu projeto, é só seguir os passos abaixo.
O mapa do método — cada passo é descrito abaixo.
O que você precisa antes de começar
Três coisas, e nenhuma delas é ferramenta paga:
- Material bruto. Gravações em celular, na vertical (1080×1920). Se você grava tela, grave os screen recordings separados.
- Narração. Grave a narração final como um áudio único. Ela é a espinha dorsal do vídeo — é a partir dela que tudo é cortado.
- Um agente que executa. Eu usei o GPT-6 Astra (o novo modelo da OpenAI) para montar tudo, e o Claude para finalizar. Qualquer agente com acesso a arquivos e execução de scripts serve.
Passo 1: organize o material como um projeto
Antes de qualquer prompt, jogue tudo numa pasta de projeto, com nomes claros:
meu-video/
├── 01-gravacao-celular.mp4
├── 02-tela-do-editor.mp4
├── narracao.mp3
└── materiais/ # motion, prints, tudo que complementa
Por que isso importa: o agente vai ler essa pasta inteira. Pasta organizada é contexto de graça — e contexto é o que separa um resultado "quase bom" de um resultado que você assina.
Passo 2: tenha uma skill de edição (ou use o video-use)
No vídeo eu falo que já tenho uma skill que edita vídeo. O que ela faz, na prática:
- transcreve o áudio com timestamp por palavra;
- corta nas pausas, sem cortar dentro de uma palavra e sem acelerar a voz;
- gera legendas dinâmicas sincronizadas com a fala;
- monta o vídeo no formato pedido e roda o render.
Se você não tem uma skill assim, o caminho curto é o video-use: dá pra testar e já sair com um vídeo. O importante é entender a divisão de trabalho: o modelo decide, o script executa. Render é o último passo, não a camada inteligente.
Passo 3: escreva o prompt (e o que pedir nele)
O prompt que eu mandei pro Astra, em essência, foi este — copia e adapta:
Projeto: editar o vídeo X em formato vertical (1080×1920), ~25 segundos.
Material:
- 01-gravacao-celular.mp4 — gravação bruta
- 02-tela-do-editor.mp4 — screen recording
- narracao.mp3 — narração final (áudio principal)
- materiais/ — complementos
O que eu quero:
1. Leia todos os arquivos do projeto antes de começar.
2. Cortes nas pausas da narração, sem cortar dentro de palavras,
sem acelerar a voz.
3. Legendas dinâmicas, palavra a palavra, sincronizadas com a fala.
4. Formato vertical 1080×1920.
5. Monte um storyboard primeiro e espere minha aprovação.
Só depois de eu aprovar, faça o render.
A linha mais importante é a última: storyboard primeiro, eu aprovo, depois render. Sem ela, o agente renderiza direto — e você descobre o problema em um vídeo pronto. Com ela, você vê o vídeo inteiro antes de ele existir.
Passo 4: aprove o storyboard (e responda as perguntas)
O Astra leu os arquivos e montou o storyboard: cada passo do vídeo em quadro, com as legendas já aplicadas. E aí veio a parte que eu não esperava.
Na narração eu tinha falado um número errado — falei 7,4 onde o benchmark dizia 7,8. Eu mesmo não tinha percebido. O agente percebeu e perguntou qual eu queria manter. Eu mandei manter a fala como estava, porque na tela o número certo ia aparecer.
Essa é a lição do passo 4: um agente bem instruído não decide escondido quando os dados conflitam — ele pergunta. E isso só acontece porque o material estava organizado (passo 1) e o pedido era explícito (passo 3).
Regra prática: se o agente pode escolher errado entre duas fontes suas, diga no prompt o que fazer: perguntar, ou seguir uma delas.
Passo 5: render e revisão
Aprovado o storyboard, é execução: os scripts rodam o render (1080×1920) e o vídeo sai pronto. O que eu reviso no final:
- legenda sincronizada palavra a palavra (nada de legenda na frente da fala);
- cortes nas pausas certos, sem fôlego cortado no meio;
- números na tela batendo com o que a legenda diz;
- nenhum trecho de tela exposto por menos de 1 segundo.
Passo 6: quando o limite bater (e ele vai)
Aqui está a parte honesta: quando o vídeo estava quase pronto, bateu meu limite do Astra Ultra. Quatro horas de espera, no pior momento possível.
Eu não ia esperar. Peguei a base de trabalho que o Astra tinha feito — storyboard, decisões, materiais, tudo documentado no projeto — e finalizei no Claude. Ele não alterou nada do que o Astra tinha criado: dali pra frente era só executar os scripts de render.
É o passo 1 pagando dividendos: como o projeto era arquivos organizados, trocar de agente no meio não custou nada. O trabalho caro (a base artística) já estava feito; render é commodity.
Regra prática: organize o projeto de um jeito que qualquer agente consiga continuar de onde o outro parou. O dia em que você precisar disso, você não vai ter tempo de reorganizar.
Conclusão
O resultado final — cortes, legendas dinâmicas, tudo — foi um vídeo editado por IA, do prompt ao render, comigo aprovando cada decisão que importava.
O método não é mágica: material organizado, uma skill de edição, um prompt explícito com storyboard antes do render, e um plano pro dia em que o limite bater. Roda aí no seu projeto — e se travar em algum passo, me marca que eu ajudo.